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REFLEXÃO MARIANA | Maria Rainha do povo de Deus


DOM JOÃO PEDRO DOS PASSOS

POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
BISPO AUXILIAR DA DIOCESE DE MINAS


Minas - MG, 21 de Agosto de 2026.

REFLEXÃO MARIANA: MARIA RAINHA DO POVO DE DEUS 

Queridos irmãos e irmãs, 
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Para Sempre seja louvado e sua mãe Maria Santíssima!

 

"Maria foi elevada à glória celeste e exaltada por Deus como Rainha do universo, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho” — Constituição Apostólica Lumen gentium, 59

No último dia 15 de Agosto, a Igreja universal celebrou a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, um dos quatro dogmas Marianos da fé. Tendo concluído pois seu tempo terreno, a santa mãe igreja reconhecendo os méritos e acontecimentos, por mandato divino através de sua Santidade o Papa Pio XII, na solenidade de todos os Santos em 1º de Novembro de 1950, instituiu, declarou e proclamou que Maria, sempre virgem, foi elevada à glória de Deus em corpo e alma, pela constituição apostólica “MUNIFICENTISSIMUS DEUS”.

«Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte» (529). A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos: «No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste a mundo, ó Mãe de Deus: alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações, hás-de livrar as nossas almas da morte » (532) — Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 966

Toda a constituição apostólica foi escrita para definir esse dogma, e nos primeiros parágrafos vemos uma boa explicação de confirmação, onde diz que: Deus que se inclinou e viu a humildade de sua serva, assim como entoado pela própria Virgem Maria no Magnificat, em sua vida terrena, Nossa Senhora, desempenhou amorosamente a missão a ela confiada de ser mãe de Jesus, e assim de todos os que foram remidos pelo seu glorioso sangue, e não só isso, mas Maria desempenhou o papel fundamental de uma verdadeira Cristã, tanto amou seu Deus, acima de tudo e assim se esforçou para que todo o plano de Deus se realizasse na humanidade, aceitando gerar pela força do espírito Santo Deus o próprio Deus.

Maria é a arca da nova aliança, portadora da esperança, desde a anunciação ao dizer “sim” a Deus, Maria inicia sua trajetória rumo à eterna realeza celeste, um rumo a eternidade foi traçado, graças a sua vida de doação constante por amor sobretudo a Deus, mas também a seu amado Filho, sendo homem e toda a Igreja, a partir do início pela ação do Espírito Santo. A vida de Maria é exemplo para nós de escuta obediente e de amor por sua missão. Se no antigo testamento a arca era guardada com muita segurança e venerada pelos judeus, por conter a lei que Deus promulgou no Sinai, agora Maria é venerada como a nova arca da aliança que Deus firmou novamente com seu povo, sendo o sacrário vivo, carregando o próprio Deus, o Deus filho, em sua barriga, ela carrega a Lei dentro de si. 

Maria agora, diante de toda sua missão, diante de toda sua honraria e dignidade, é também elevada ao céu, é recompensada por todo seu trabalho, mas sumamente sua missão de portadora de Deus e abundante de toda a graça. 

Terminado o curso da sua vida terrena, a santíssima Virgem Maria foi elevada em corpo e alma para a glória do céu, onde participa já na glória da ressurreição do seu Filho, antecipando a ressurreição de todos os membros do Seu Corpo. — Catecismo da Igreja Católica parágrafo 974

Através da Assunção de Maria, podemos refletir sobre nossa própria vida, se continuarmos a viver segundo a iluminação de Deus, honrarmos nosso corpo como templo de Deus toda vez que recebemos a Eucaristia, um caminho também é traçado para nós, nossa missão é permanecer no amor de Deus com os irmãos, nossa missão é fazer que esse suor seja entendido e assim como Maria indo a Isabel apressadamente, é necessário ter pressa para anunciar, para evangelizar. Queridos irmãos, se permanecermos nesses fundamentos teremos também nossa ressurreição, a esperança foi aberta graças a Maria, sendo ela elevada a presença de Deus, abriu-nos a oportunidade de um dia também subir a presença de Deus, mas será que estou desempenhando verdadeiramente minha missão, defendendo minha fé e amando o meu Deus assim como Maria? A chance é dada, depende de nós se realizar-se-á. 

Hoje, a Liturgia nos convida a continuar essa grande solenidade de nossa Igreja ao celebrarmos a memória da Coroação de Nossa Senhora como a Rainha do céu e da Terra, tendo como vários títulos, o dia de Nossa Senhora Rainha. 

A rainha está à vossa direita com suas vestes de ouro, ornada de esplendor. — Salmo 44,10

Tendo já sido elevada a presença de Deus, agora a Trindade Santa realiza a maior honraria que ninguém jamais recebeu, ganhar o título de Rainha e ser coroada pelo próprio Criador. Na Carta encíclica Ad caeli Reginam, 11 de Outubro de 1954: aas, 46 [1954], 625-640). O Papa disse que Maria é Rainha mais do que qualquer outra criatura em virtude da elevação da sua alma e da excelência dos dons recebidos.

A origem das glórias de Maria, o momento solene que ilumina toda a sua pessoa e a sua missão, reside em quando, cheia de graça, ela se dirigiu ao Arcanjo Gabriel com o "Fiat", expressando a sua concordância com a vontade divina. Assim, tornou-se Mãe de Deus e Rainha, e recebeu o ofício real de zelar pela unidade e paz da humanidade. Por meio dela, temos a firme convicção de que a humanidade trilhará gradualmente este caminho de salvação; ela guiará os líderes das nações e os corações dos povos rumo à concórdia e à caridade. — Discurso de sua Santidade o Papa Pio XII, em honra a Nossa Senhora Rainha em 1/11/1954

Estar ligada à realeza, na história medieval, é estar relacionada a alguma dinastia familiar monástica que seria passado de pai para filho no trono da mesma monarquia. Dentro do contexto das Sagradas Escrituras, Maria está diretamente ligada à Santíssima Trindade, sendo a mãe do Filho de Deus, homem encarnado no meio do povo, Rei de todo o universo, assim ligada com seu único filho, ela está diretamente em comunhão com Deus. Por outro lado Maria tem total responsabilidade com a humanidade assim como seu filho Jesus, ao assumir o posto dado por seu filho como mãe da Igreja e mãe de todos os filhos de Deus, ela participa desta responsabilidade com toda a humanidade, assim como um rei e uma rainha tem com seu povo.

O que diferencia essa realeza mundana, monárquica, medieval, da realeza de Deus está diretamente relacionada ao seu comportamento para com o seu povo amado. Jesus nos ensina um reino de humildade e amor, de relação fraterna e de paz para com todos, sejam amigos ou inimigos, Jesus institui um reinado onde o seu rei, morreu de amor pelo seu povo, derramou seu sangue, pois não queria que seu povo passasse por tamanho sofrimento tanto terreno, como também para garantir o lugar destinado aos homens de boa vontade e seus seguidores. Jesus é um rei humilde que tira o manto, ajoelha e lava os pés de seus servos e ainda ensina que quem quer ser o primeiro, então que sirva os seus irmãos, além de permanecer continuamente no amor e na caridade para com todos os que passam necessidades espirituais ou corporais.

Jesus é um rei não entendido por muitos, assim como Pilatos pergunta em seu julgamento, “Então tú és Rei?” ao não conseguir definir o reinado de Jesus, um reinado que não pertence a esse mundo, um reinado incompreendido, um rei que foi morto pela ganância de poder de muitos que não entendiam que ele não queria uma monarquia terrestre, cheia de ouro e poderes. 

Com razão acreditou sempre o povo fiel, já nos séculos passados, que a mulher, de quem nasceu o Filho do Altíssimo – o qual "reinará eternamente na casa de Jacó"(5), (será) "Príncipe da Paz"(6) , "Rei dos Reis e Senhor dos senhores"(7)-, recebeu mais que todas as outras criaturas singulares privilégios de graça. E considerando que há estreita relação entre uma mãe e o seu filho, sem dificuldade reconheceu na Mãe de Deus a dignidade real sobre todas as coisas. — Carta Encíclica AD CAELI REGINAM, do Papa Pio XII, parágrafo 8.

O mesmo agora é válido a Maria, a humilde seguidora de Deus, que poderia se engrandecer de tudo que foi proporcionado a ela, mas preferiu destinar todo seu canto de louvor a Deus, Maria foi o melhor exemplo de Cristã, a primeira que desde o ventre materno já estava destinada a este propósito. Como já refletimos, Maria foi elevada ao céu em corpo e alma por esse motivo, por toda sua vida de verdadeira doação ao reino de Deus. A principal ação maternal destinada a Igreja já podemos observar desde Caná, quando Maria intercede ao seu filho por aquele casal que passa por dificuldades em sua festa matrimonial e sofreria grande humilhação na comunidade Judaica. “Fazei tudo que ele vos disser” foi a palavra clara de Maria só saber que Jesus salvaria a festa dos noivos.

Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo; és bendita entre todas as mulheres da terra! — Lucas 1,28

Maria é a humilde serva, ela mesmo se disponibilizou para fazer dela o que Deus quiser, hoje no céu, para completar toda essa obra de serva, Maria a serva humilde que soube de verdade ouvir a voz de Deus é dignamente coroada como a Rainha do céu e da Terra, ligada totalmente a realeza celeste, não acima da Santíssima Trindade, mas estando um grau abaixo ela reina eternamente como a Rainha do povo de Deus, pois em tudo sobe ouvir e seguir o reino que Jesus pregou. Agora todo o povo recorre a Maria, a virgem humilde mãe de todos os cristãos, todos veem nos olhos de Maria um olhar afetuoso de mãe que trata com carinho e amor de seus filhos e ainda que não deixa nenhum, nem o mesmo o mais rebelde de seus filhos, desamparados.

O desenvolvimento, por nós auspiciado, da devoção para com a Virgem Maria, inserida, conforme acima aludimos, no álveo do único culto que, com razão e justeza, é chamado "cristão", pois de Cristo se origina e assume eficácia, em Cristo encontra completa expressão e por meio de Cristo, no Espírito, conduz ao Pai, é elemento qualificante da genuína piedade da Igreja. Por uma necessidade íntima, de fato, essa piedade reflete, na prática cultual, o plano redentor de Deus; pelo que, ao lugar singular que coube a Maria em tal plano, corresponde também um culto singular para com ela (LG 66); — Exortação Apostólica MARIALIS CULTUS, do Papa Paulo VI - introdução 

Roguemos sempre a rainha que interceda por todos nós, cristãos que estão no caminho para a eternidade, rezemos a ela por nossas necessidades, escuridões, dores e sofrimento corporais e espirituais, ela sendo a mãe irá entregar nosso pedido ao Rei que rege todo o universo que abençoará o seu povo trazendo milagres e graças. Rezemos sempre pelos títulos de Maria, a Rainha dos Apóstolos, dos mártires, dos profetas, das virgens, dos confessores, dos anjos, das famílias, de todos os Santos, RAINHA DA PAZ, rezemos que ele lá do trono celeste interceda a Deus Pai todo poderoso por nós pequenos cristãos.

Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. — Apocalipse de São João 12,1

O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria, e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. Pois o jugo que oprimia o povo, a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais tu os abateste como na jornada de Madiã. — Isaías 9, 1-2

O título de Rainha é sinal de confiança, de esperança, temos uma rainha, uma rainha que olha pelo seu povo com olhar carinhoso de mãe. 

SALVE REGINA!

Que Deus abençoe a todos nós, que vivendo esse caminho rumo a eternidade, possamos de verdade nos converter e evangelizar, para mais conversões e agir depressa. Amém. 

Que a sempre vigem Maria a senhora Rainha da Boa Viagem interceda por cada um de nós, para que nos ajudem a viver esta vida de cristãos, para que um dia, possamos participar do banquete celeste preparado para nós. 

Com carinho, amor e bênção, 

DOM JOÃO PEDRO DOS PASSOS 
Bispo auxiliar da Diocese de Minas

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