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REFLEXÃO QUARESMAL | Jesus, a Luz para nossas cegueiras


DOM JOÃO PEDRO DOS PASSOS SJ-M 

POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
BISPO AUXILIAR DA DIOCESE DE MINAS


Minas - MG, 15 de Março de 2026.

REFLEXÃO QUARESMAL: JESUS, A LUZ PARA NOSSAS CEGUEIRAS 

Queridos irmãos e irmãs, 
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Para Sempre seja louvado e sua mãe Maria Santíssima!

 

"A cegueira de nascimento figura a ignorância espiritual; o lavar-se na piscina significa a purificação no batismo; e o ver a luz do dia indica o conhecimento da verdade.— Catequese de São Beda

A liturgia deste 4° Domingo da Quaresma é bela, e nos trás um pouco das alegrias Pascais que estão por vir. Como nós adianta a oração da coleta no Missal Romano: “concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e exultando de fé”. Celebramos o Domingo Lætare, palavra do Latim: “Alegra-te”, Lætare Jerusalém! Alegra-te Jerusalém! Esse Domingo tem a particularidade de ser assim chamado pois está ancorado, primeiramente, no próprio espírito cristão, que não é um espírito de murmuração e tristeza, mas de alegria. Portanto, assim como Israel aclamou a Davi como rei, nós iremos daqui alguns dias aclamar o nosso rei, e por esse título, será condenado e morto, “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”. Alegria! O Roxo penitencial se mistura com o Branco Pascal, surgindo o Róseo ou Cor-de-Rosa, que é a cor litúrgica destinada à alegria deste domingo. Permaneçamos firmes na caminhada quaresmal, pois estamos chegando ao seu fim, e que nestas últimas semanas de penitência, corramos ao encontro do mistério de nossa fé, a Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Alegremo-nos! Repito, alegremo-nos! 

A liturgia de hoje além de nos convidar a alegrar, nos recorda novamente nosso batismo, por onde fomos mergulhados na fé e ganhamos a salvação e a purificação dos nossos pecados, neste período da Quaresma, os Catecúmenos, desde semana passada se preparam para receber o sacramento do Batismo na Vigília Pascal, assim com eles, nós também renovamos nossos compromissos com nosso Senhor, confirmando assim nossa fé. Na semana passada meditamos a Samaritana com a Água, símbolo visível do batismo, onde Jesus é a água eterna e quem dela beber nunca terá sede, sempre estará saciado, ele é a água da salvação. Essa semana somos convidados a junto com o Cego de Nascença a meditar a Luz, um dos símbolos batismais. 

Os Mistérios vistos até agora, Água e Luz, símbolos batismais, sacramento esse com total relação ao mistério Pascal, pois nos imerge nos mistérios da Morte e Ressurreição de Jesus, libertando-nos da escravidão do pecado e dando-nos a vida eterna.

Desde a Liturgia deste sábado, percebemos Jesus, fazendo duras críticas aos religiosos. “Eu quero misericórdia, e não sacrifício!” Jesus quer de verdade um coração sincero, disposto a ouvir e a mudar de verdade, por fora e também por dentro, ele está disposto a cuidar de nós, mas depende se eu estou com meu coração aberto a ouvir a boa nova que ele tem a nos falar. Os Sacerdotes chegam ao templo, e com sua arrogância e ignorância se declara livre de pecados e santo perante a todos, e o Cobrador de impostos, com o custo de erguer a cabeça, confessa ser pecador e necessitado da Misericórdia de Deus. Essa Crítica na parábola contada a Jesus, chega aos nossos tempos quando, nós, que estamos na igreja nos achamos mais dignos do que os outros, talvez aparenta estarmos mesmos, mas, o coração é ruim, é pedra, é um coração onde Jesus nunca entrou e tocou de fato. Talvez há pessoas de coração humilde e bondosas fora dos templos, que reconhecem suas falhas humanas e voltam ao encontro do Senhor, sendo assim, mais dignas de nosso Senhor do que aqueles que se “dizem” seguidores fiéis. É necessário mudar! Mudar o coração! Abri-lo para de verdade conhecermos Jesus! É necessário largar essas hipocrisias, mostrando externamente algo que não condiz com nosso interno, é preciso de fato ORAÇÃO, orar e também agir! Jesus não privou-nos dos nossos sacrifícios e penitências, mas desde que eles produzam fruto e não somente mostram o que queremos que os outros pensem que fazemos e assim fazer da Igreja um grande CIRCO SEM LONA! Mudança já! 

Hoje, Jesus vê um Cego de nascença, o pensamento da época e da tradição Judaica, leva os discípulos a perguntar sobre o pecado de seus pais que o levou nascer sem a visão, Jesus responde, que ninguém pecou, mas tudo se aconteceu para que as obras de Deus aconteçam. Fica aí nossa primeira reflexão, uma meditação que nos conforta profundamente, temos um Deus que nos ama, que nos quer bem, ele não olha nossas necessidades especiais ou nossas deficiências e nem coloca culpados pelos acontecimentos. Jesus olha para aquele homem marcado pelo sofrimento, pelo abandono, pelo preconceito da sociedade, e ao invés de se afastar dele assim como os outros ou simplesmente julgar, ele prefere ir ao seu encontro e amar, Deus não olha nossas imperfeições ou defeitos, ele nos enxerga como filhos muito amados pelo pai. 

Assim Jesus realiza as obras da salvação, predestinadas a acontecer para a conversão das pessoas e ensinamento dos valores cristãos, ele mesmo anuncia que enquanto estiver no mundo, ele é a luz do mundo. Jesus cospe no chão, fez barro com sua saliva, e assim como Adão, que foi formado do Barro e o sopro de Deus, cura o homem, fazendo uma nova criação. Essa cura não é imediata, ele ainda pede para ele se lavar no poço do “enviado”, esse poço, simboliza a purificação do homem no batismo, onde ele estava cego para o mundo, fechado em seus pecados, com o mergulho, ele passa a enxergar a vida, a salvação, Cristo passa a ser a Luz de sua vida. Ele foi criado novamente pelo barro e o sopro de Deus e depois batizado nas águas, recebendo a luz da vida, nosso senhor.

Essa Cura provoca um certo alvoroço no meio judaico e entre os mais tradicionais, tudo por acontecer em um dia de Sábado, fica aí mais uma reflexão: Grande é a hipocrisia do povo, se alguém estiver morrendo, não irei socorrer porque é Sábado? Jesus faz aí uma crítica, não adianta guardar o Sábado, fazer sacrifício, se o seu coração não está de verdade em defender a vida e viver no amor e nos mandamentos do Senhor. Todos estão somente fazendo atos externos para parecerem santos, mas de fato o coração é frio e pensa em si mesmo. É necessário se humilhar para ser exaltado, e não se exaltar para depois ser humilhado. Os próprios mestres da Lei e fariseus, ao interrogar o que tinha sido cego, insinuam que Jesus não pode ser de Deus, pois fez cura no dia de Sábado, mas havia divergências pois outros não acreditavam que pecadores podiam fazer tais sinais. 

O sinal foi tão mal visto por todos os religiosos que vão atrás dos pais do que tinha sido cego, seus pais disseram ao serem interrogados para perguntarem a ele sobre o ocorrido, ele já tem maturidade para resolver seus problemas, é visível o medo nas palavras deles, eles recuam em dizer a verdade e preferem jogar o Filho contra as autoridades judaicas do que eles mesmos serem condenados por falarem algo que está longe do costume da época. Cabe aí nossa reflexão de não temer em defender o certo, mesmo diante das armadilhas para fazerem inocentes pagar, tudo por seus egoísmos enormes e preconceitos. Lembremos que o caminho de nosso Senhor, é um caminho de verdade. Em tudo defendamos a verdade! É perceptível que a luz da vida que o senhor nos dá, não está nesse casal, pois o medo tomou conta e o pecado da mentira adentrou, colaborando com a cegueira do povo.

Chamando novamente o homem, interrogam, e vejam que há uma diferença entre quem conheceu de fato nosso Senhor e se deixou transformar com ela, e quem ainda permanece nas cegueiras do mundo, seus pais morreram de medo e temendo a prisão, abandonam a defesa pela verdade. Já o que era cego, enfrenta as autoridades, jogando na cara dos fariseus e Sacerdotes qual seria o interesse deles em saberem tanto do assunto, coisas que eles já ouviram e se recusam a acreditar, os mestres considerando a afronta, expulsam ele da comunidade. A fortaleza e a inteligência do Espírito Santo é derramada sobre nós, pela graça do batismo, este homem inundado pela graça de Deus, sabe dizer e responder corretamente e de forma espera as autoridades ao ponto de até eles se amedrontarem e o considerar um discípulo de Jesus. Ele diz uma frase que sintetiza totalmente a Liturgia de ontem e hoje em uma crítica: “Deus não escuta pecadores, mas aquele que é piedoso e que faz a sua vontade” quem seria os pecadores? Quem seria os piedosos? Esses pecadores são todos aqueles que estão cegos, presos ainda nas artimanhas mundanas, presos ao vício do pecado e longe da graça de Deus, sendo assim não quer dizer que esteja fora da Igreja, esse cego pode estar também na igreja, neste evangelho quem está cego ainda? Os sacerdotes, religiosos, autoridades, os pais do que era cego, todos esses, mesmo que se dizem religiosos, estão longe da presença de Deus. Os Piedosos seriam aqueles que mesmo fora da Igreja fazem de fato a vontade de Deus e estão abertos à conversão diária. 

Devemos estar então abertos a sermos libertados dessas cegueiras que nos levam à morte, não devemos mostrar que somos cristãos, mas de fato sermos. Vamos nos libertar dos vícios, do egoísmo, do vitimismo, da ignorância, do preconceito, da falta de amor. De fato levemos a misericórdia e a verdade ao próximo, sempre abertos a graça de Deus e não fingirmos uma fé, fazer um circo sem lona na igreja, de fato deve haver sacrifício, penitências e resguardas do dia sagrado, mas desde que a centralidade seja o amor e de fato a misericórdia. Estejamos abertos a graça, deixamos ser iluminados pela luz de Cristo, assim como esse homem foi ao se espantar em ver tamanha preocupação em atos externos e não se preocupar com a presença em Deus. O egoísmo é tão grande que o expulsam simplesmente por ensinar e afirmar a verdade que eles não queriam ouvir, fechados para acolher a boa nova.

Ao encontrar novamente com o homem, Jesus faz uma pergunta decisiva para a nossa compreensão deste evangelho. Jesus afirma ser o Filho de Deus e este que era cego professa sua fé, assim terminando de fato seu batismo, ao receber a vida, a luz, a água, ao renunciar o erro e a mentira, agora ele professa sua fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Este homem que era cego ao longo do Evangelho vemos diferentes respostas à respeito de nosso Senhor, de primeira vez, vemos que o homem trata-o como se fosse um desconhecido, depois ele o chama de profeta, por fim crê que ele é o Filho de Deus e se presta diante dele, isso para nós é mais uma reflexão: A conversão é um processo vagaroso, que é feito em partes, é um processo, para ser de fato batizado e confirmado na fé cristã, devemos em verdade ser convertidos a essa graça de nosso Senhor que nos impulsiona sempre a mudança e a defesa do amor e da vida. 

Ao finalizar o Evangelho, Jesus diz algo que novamente mexe com as autoridades. Ele veio para que os cegos enxerguem e os que têm boa visam fiquem cegos, quer dizer que Jesus veio para fazer uma mudança, ser causa de queda e de reerguimento de muitos, aqueles que se “diziam” acreditar em verdade não acreditam e os que não acreditam em Deus, passam a professar sua fé nele. Jesus veio para todos, mas o egoísmo dos que já acreditam não devem prevalecer ao ponto de endurecer os corações e fecharem à graça de Deus. Portanto a frase final Jesus fala se eles fossem cegos não teriam culpa, mas eles “dizem” enxergar, aí o pecado permanece, pois eles dizem fazer o que fazem, mas ao ouvir Jesus por causa do coração endurecido se recusam a aceitar as mudanças para de verdade adentrarem a graça de Deus.

Na Carta aos Efésios no 5° Capítulo, nos versículos 8 ao 14, vemos claro que a cegueira é a escuridão, é as trevas do pecado, é o antigo homem que não conheceu a Deus. Mas que com a Luz de Jesus, iremos viver na bondade, no amor, na misericórdia, agora vemos a vida! Façamos o que é de agrado a Deus, deixemos o pecado, abandonemos as causas da cegueira, São Paulo nos convida a despertar do meio dos mortos para a Luz de Cristo resplandecer sobre nós. 

Jesus é o Pastor que nos conduz, nada irá faltará, ele é a luz de nossa vida! Confiemos nele, se temos fé, pode acontecer tudo em nossa vida, mas nada irá abalar nossa fé, pois é algo que nós acreditamos. Vemos nesta liturgia que Jesus desfaz preconceitos e indiferenças criadas pela sociedade, ele ignora totalmente essas ações perversas e sempre está disposto a dar à luz da vida, aqueles que querem enxergar novamente. 

Como falei em minha última reflexão, busquemos a mudança de vida sincera! Vamos atrás da Luz do mundo, que é nosso Senhor. Busquemos o amor e a caridade, confessemos nossas cegueiras, principalmente as que as sagradas Escrituras mostras como “faltas graves” o orgulho e a prepotência.

Que ao final deste período Quaresmal possamos de verdade abrir o coração à conversão e adorar a Deus em espírito e verdade, deixemos a antiga vida de pecado e erro e nos banhe os nas fontes batismais da salvação do Senhor e assim veremos a luz da vida que Jesus nos trás!

Que Deus abençoe a todos nós, que vivendo esse caminho Quaresmal possamos de verdade nos converter e evangelizar, para mais conversões. Amém. 

Que a sempre vigem Maria a senhora da Boa Viagem interceda por cada um de nós, e peçamos a intercessão dos Santos para que nos ajudem a viver este tempo de penitência, para que um dia, possamos participar do banquete celeste preparado para nós. 

Com carinho, amor e bênção, 

 JOÃO PEDRO DOS PASSOS 
Bispo auxiliar da Diocese de Minas

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