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REFLEXÃO QUARESMAL | A glória do senhor se revelou a nós: "Escutai o que ele diz"


DOM JOÃO PEDRO DOS PASSOS SJ-M 

POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
BISPO AUXILIAR DA DIOCESE DE MINAS


Minas - MG, 01° de Março de 2026.

REFLEXÃO QUARESMAL: A GLÓRIA DO SENHOR SE REVELOU A NÓS:
"ESCUTAI O QUE ELE DIZ"

Queridos irmãos e irmãs, 
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Para Sempre seja louvado e sua mãe Maria Santíssima!

 

"O principal objetivo da Transfiguração era tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz. Pois a humilhação da Paixão, que Cristo aceitou voluntariamente, poderia perturbar sua fé, se antes não vissem a glória escondida em sua humanidade.— Catequese de São Leão Magno

Ao Prosseguimos nossa caminhada Quaresmal, que nos leva do Domingo da Tentação (1° Domingo da Quaresma) ao Domingo da Transfiguração, este (2° Domingo da Quaresma), a Liturgia da Igreja é bela em colocar essa cronologia para nossa meditação, e assim vivenciar um período verdadeiro de reflexão sobre a caminhada. Ao longo de toda a semana escutamos diversas leituras, que nos levaram a refletir sobre nosso comportamento como cristão, quero enfatizar o evangelho de ontem, onde Jesus refleti sobre o comportamento real de cristãos, somos aqueles que devem se diferenciar no meio de uma humanidade tomada pela ganância do pecado e do prazer, devemos levar a prática do perdão mútuo, mas não simplesmente falar, mas agir, somos grandes hipócritas em falar que as sagradas Escrituras são nossa norma de vida, quando de verdade não seguimos os preceitos do Senhor. Jesus, resume a lei em dois grandes mandamentos, amar a Deus acima de tudo e com todo coração e forças e ao próximo como seu amor a si mesmo, mas quando observamos nossas atitudes do dia a dia percebemos que não é bem assim que agimos, do que adianta amar o amigo e aquele que gosto, até os que estão longe de Deus fazem assim, devemos portanto amar sem limites a todos, inclusive, nossos inimigos e aqueles que por algum motivo não concordamos.

A Quaresma seja de fato esse momento de reflexão sobre a minha conduta, sou de verdade um cristão, Filho da Luz e sal da Terra ou sou igual aos pagãos e ainda mais, hipócrita de falar o que é bom e fazer o que não é bom. Este tempo, é tempo de voltar a Deus e reavaliar nossas atitudes. Sejamos perfeitos assim como o nosso Pai celeste é perfeito.

Continuando o caminho Quaresmal e da paixão de nosso Senhor, saímos do deserto da tentação, do deserto da reflexão para a montanha do grande acontecimento. Uma parte da teologia diz que houve três grandes epifanias de nosso senhor, primeiramente, epifania deriva do grego epiphaneia, que significa manifestação ou revelação, que não refere-se a um acontecimento isolado, não! Mas ao reconhecimento de que Jesus é o Filho de Deus, o Salvador, cuja luz resplandece para toda a humanidade, indo além do povo de Israel.

A primeira Epifania, foi a revelação de Deus a humanidade, através da visita dos três magos no presépio de Belém, por ocasião do Natal de nosso Senhor. A segunda Epifania foi seu batismo no Rio Jordão, onde o próprio Pai anuncia a todos que Jesus é seu filho muito amado e pede para escutar o que ele tem a dizer. Por fim, a terceira Epifania é a que a Liturgia do dia de hoje celebra nesta cronologia Quaresmal, a Transição de Jesus no Monte Tabor.

Consideremos os dois momentos da vida de nosso Senhor, ambos antecedem as festas do mistério Pascal, a tentação, onde nosso Senhor luta contra o Demônio, e a Transfiguração, onde a glória da ressurreição é manifestada, a luz da salvação é antecipada para evitar o escândalo e a humilhação da cruz. 

Nosso Senhor, querendo dar a seus discípulos um antegozo da beleza do paraíso, “tomou consigo a Pedro, a Tiago e a João seu irmão, e os conduziu de parte a um alto monte e transfigurou-se diante deles. — Catequese de Santo Afonso de Ligório

Se por um lado observamos a humanidade de Jesus, em ser tentado assim como qualquer ser humano, agora passamos a conhecer a Divindade de Jesus, onde vemos a salvação, seu corpo repleto de glória, ou seja também iremos poder participar desta salvação se de fato seguir os passos de nosso Senhor, evitando as tentações mundanas e sempre disposto a ouvir o que Deus tem a nos dizer. O Tabor, assim como o Sinai é um monte, o povo judeu tinha o costume de ir orar em lugares altos por sentir-se mais próximos de Deus, assim Jesus preserva essa herança dada desde o êxodo e os primeiros profetas, portanto vemos a ilustre figura de Moisés e Elias junto a Jesus neste momento de conexão como pai, isso mostra a nós, que a obediência é o principal Pilar cristão. Foi pela falta de obediência e ganância Eva escutou a serpente e assim comeu do fruto proibido e ainda induziu Adão a comer também. A morte assim como castigo iniciou a reinar, mas pela obediência de nosso Senhor Jesus Cristo, a salvação foi nos dado como proposta de vida eterna, para aqueles de fato optarem a seguir a mensagem de Jesus.

Eles, de fato, o conheciam como homem, mas ignoravam que fosse Deus; conheciam-no como filho de Maria, um homem que vivia com eles no mundo, mas sobre a montanha revelou-lhes que era o Filho de Deus, e o próprio Deus. Eles o tinham visto comer e beber, fatigar-se e descansar, cochilar e dormir, apavorar-se até gotejar de suor, coisas que não pareciam estar em harmonia com sua natureza divina, nem convir à sua humanidade. — Catequese de Santo Efrém, sermão I sobre a transfiguração 

O Senhor foi imergido de Luz ao iniciar sua oração com o Pai, essa luz que professamos crer no símbolo niceno-constantinopolitano, “Luz da Luz”, é essa luz que também recebemos pela graça do batismo, de fato “Luz do mundo” a salvação foi dada a nós, somos encharcados da graça e luz de Jesus, mas para aqueles que de fato seguem na obediência do mandato divino. Repeti muito nesta reflexão, um caminho de escolha, sempre colocando “mas, para aqueles que de fato seguem” tudo tem uma finalidade e ao final vocês irão entender. 

Meu coração vos disse: Busquei a vossa face, é vossa face, Senhor, que eu procuro. Não desvieis de mim o vosso rosto! — Sl 26, 8-9

Ao final do Evangelho de Mateus, sobre a Transfiguração, ouvimos uma voz entre as nuvens “Este é o meu filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o”, a centralidade do momento, do Evangelho aí acontece, o Pai novamente mostra a Divindade de Jesus e ainda fala que o “Ama muito”, o ponto máximo da Transfiguração é a revelação, a Epifania do Senhor, mas porque? Qual o motivo de mais uma manifestação para constatar sua divindade, a resposta foi comentada no início desta reflexão, a Transfiguração é a antecipação da ressurreição, Jesus leva consigo Pedro, Tiago e João para prepará-los para enfrentar o escândalo da Cruz, da humildade. Antecipa também sua morte, preparando os apóstolos para que tenham forças de vencer também a cruz, a morte e não perturbar seus corações e sua fé. Ele abraçou livremente esse gesto de paixão pela humanidade, mas os apóstolos não estavam preparados para isso. Era necessário anunciar a glória de Jesus que estava em sua humanidade. 

Por um momento, Jesus mostra a sua glória divina, confirmando assim a confissão de Pedro. Mostra também que, para «entrar na sua glória» (Lc 24, 26), tem de passar pela cruz em Jerusalém. Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias (314). A paixão de Jesus é da vontade do Pai: o Filho age como Servo de Deus (315). A nuvem indica a presença do Espírito Santo: «Tota Trinitas apparuit: Pater in voce; Filius in homine; Spiritus in nube clara – Apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa» — Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 555 

Somos o povo de Deus escolhido desde a início dos tempos, temos a sagrada aliança com o Senhor, o livro do Gênesis no capítulo 12, entre os versículos 1 ao 4, diz que Deus fará de nós uma grande nação e abençoará todos os povos escutam e põem em prática sua lei, sua palavra era dirigida a Abrão, mas que refere-se a todos que de fato constituíram uma aliança de fidelidade a nosso Senhor Jesus Cristo. São Paulo na carta a Timóteo no cap. 1°, convida a sofrermos pela causa do Evangelho, da voz de Deus que nos leva a salvação e a vitória sobre a morte. Deus já nos salvou, mas ele nos convida a uma vida santa, uma vocação de novos e verdadeiros anunciadores do evangelho, sem temer as consequências, mas lutar até o fim. A graça já nos foi dada, “Ó Morte, onde está tua vitória?” A manifestação de Jesus já aconteceu, ele nos salvou e destruiu de nosso ser a morte eterna, mas de agora em diante passamos de uma vida para a outra, aí está o significado da Páscoa, passagem. Estamos saindo assim como Moisés de uma vida de escravidão do pecado, para a Terra que Deus nos preparou, onde ele nos espera com um grande banquete de festa. 

Portanto meus irmãos, a fala do Pai no evangelho de Mateus sobre a Transfiguração encerra-se dizendo: “Escutai-o” a graça do senhor foi derramada sobre aqueles que o temem, Jesus convida aos apóstolos Pedro, Tiago e João para que não tenham medo mas que o ouvem e se disponham a viver pela causa do Evangelho e da salvação, como comentei acima, tudo há uma opção, o Senhor não nos impõe como devemos viver, mas ele se entrega por todos para o resgate de muitos que de fato acreditam e de verdade o seguem. 

Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os teus discípulos contemplaram a tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai. — Catecismo da Igreja Católica 

Que neste tempo que vivenciamos da Quaresma, possamos refletir sobre nossa fé, se ela está mesmo na esperança da ressurreição com Cristo, ou apega ao mundo do pecado, vamos abandonar nosso egoísmo, mesquinhez e vida de pecado, abraçar a causa do reino e viver de verdade a voz de Deus, vamos refletir se somos hipócritas em falar e não praticar. Que peçamos a Deus a graça da esperança. Vamos ser criaturas humanas, Transfiguradas interiormente pela graça de Cristo e confiemos em sua orientação e suas palavras para assim chegarmos a salvação já dada a todos nós. Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação, voltemos ao pai e juntos andemos. 

“Apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa” — Catequese de Santo Tomás de Aquino 

“Ele é o Senhor, estes outros, os servos. Moisés e Elias falam de Cristo. São seus servos. Não honrem os servos do mesmo modo que o Senhor: escutem somente o Filho de Deus” — Catequese de São Jerônimo 

Que ao final deste período Quaresmal possamos entender de verdade a nossa vida e também a salvação só Senhor. Continuemos firmes neste caminho de penitência, abstinência, jejum e oração, nos preparemos para confessar e assim descarregar tudo aquilo que nossa humanidade feriu a Deus. Amém. 

Que a sempre vigem Maria a senhora da Boa Viagem interceda por cada um de nós, e peçamos a intercessão dos Santos para que nos ajudem a viver este tempo de penitência, para que um dia, possamos participar do banquete celeste preparado para nós. 

Com carinho, amor e bênção, 

 JOÃO PEDRO DOS PASSOS 
Bispo auxiliar da Diocese de Minas

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